quinta-feira, 4 de novembro de 2010

O preço de se obter o que se deseja...


Há uma confusão geral entre o que trás “felicidade” e o que é “melhor”. O anseio de se sentir bem faz com que as pessoas ignorem a importância do sofrimento, da tristeza, da desilusão. Não, esse texto não é um manifesto a favor do masoquismo, mas uma consideração: se houvesse maior valorização desses assim chamados males não haveria tantas vidas perdidas com drogas e brigas, não haveria tanta competição, a vida seria mais leve, muito mais.
Dizem alguns filósofos que a vida é sofrimento, porque desejamos algo e sofremos por não tê-lo e, se viermos a obter o que desejamos, logo desejaremos outra coisa, voltando a sofrer. Sabe-se também que nada é eterno, bens estimados podem quebrar, se perder ou ser roubados, assim como as pessoas vem e vão. Formas de sofrimento são tão variadas quanto de felicidade.
“O que ganho eu, se obtenho o que desejo? Um sonho, um alento, uma espuma de alegria fugaz. Quem compra um minuto de deleite para chorar uma semana? Ou vende a eternidade para obter um brinquedo?” (Shakespeare) Ter tudo aquilo que se pode desejar faz mal ao ego, mima e faz a pessoa pecar por orgulho e ganância. E há coisas que simplesmente não podem ser obtidas. A idéia de pose por si só já é uma perversão.
Estar vivo é estar suscetível a dor, mas não há nada de errado nisso. Deve-se aceitar que a dor ajuda a amadurecer, que a desilusão ensina que não se deve julgar (apenas viver), e o sofrimento nos dá compaixão.
Se as pessoas aceitassem que há ganhos e perdas, vida e morte, sorte e acidentes, bem-estar e doenças, não se apegariam a drogas, não se alienariam, nem seriam tão vingativas. A falta de males não é nada benéfica.
Não se deve se preocupar com o que é inevitável ou impermanente, deve-se aceitar isso como natural, pois é. E se fugir da dor não é bom, deve-se aceita-la também, aproveitá-la. Como diz a musica dos Titans “fugir da dor é fugir da própria cura.”
A paz de espírito supera a alegria e a tristeza. Se a felicidade sublime pode ser descrita, ela será comparada à paz de espírito.

8 comentários:

  1. Eu não vou ficar com meus célebres "achismos" que o Sr. Wihelm já conhece. Porém só vou concluir uma coisa: Tu, Wilhelm, bebe demais do romantismo.
    De fato o que diz sobre a relação do homem para com a dor e sofrimento é válido, mas parece ser a matriz de todos os outros sentimentos, embora não prejudique a sua crítica quanto à sociedade mimada como você mesmo cita.

    Continue, Sr. Wilhelm, se continuar, eu continuo com o meu blog, apesar de pouco divulgado.

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  2. Bravo, William, bravo! A dor é necessária, pois ela é um dos métodos mais eficazes - se não for o maior - de ensinar ao ser humano o que faz bem e mal a si e aos outros. A dor é a realidade e, como estamos imersos nela, temos que saber lidar com seu poder para vivermos e não apenas sobrevivermos.

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  3. Vocês dois são muito românticos para mim.

    -trocadilho célebre.

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  4. Romantismo, Vitor? Toda essa filosofia eu tirei do budismo. (e de Sandman, por isso a imagem de Shakespeare desenhado pelo Vess para a HQ, rs)
    Não, a dor não é a matriz dos outros sentimentos nem da personalidade (estou me contendo para não entrar em detálhes, estou lendo um mangá sobre isso agora mesmo - volume 3 de Homunculus, de Hideo Yamamoto), só queria desfazer essa noção de que "o que causa dor é definitivamente ruim".
    Romantismo, agora me deu saudades do Dorian Gray...

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  5. A ideia de que o sofrimento é causado pelo desejo é uma das Quatro Nobres Verdades do Budismo, não é?
    Após ler seu texto parei para pensar:E se no mundo não houvesse sofrimento? Seríamos todos felizes, viveríamos em paz,mas mesmo assim faltaria algo, o que acabaria resultando no sofrimento, ou seja, é inevitável não sofrer.Acredito que devemos aprender com os nossos erros e saber aproveitar cada momento da nossa vida, seja ele bom ou ruim!

    Esse foi um dos melhores textos que você escreveu! Continue assim, meu amigo romântico!!

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  6. Laís, você também? Rs
    Sim, você está certa, faz parte das Quatro Verdades Nobres do Budismo.
    Bom, se não houvesse sofrimento no mundo então nãohaveria sofrimento no mundo, ponto. Mas o mundo não é assim, e o sofrimento é uma forma de evoluirmos, ele pode fazer o bem, e é isso que importa.
    Pensando no que a Beatriz comentou, sim, há muita dor e tristeza; aceitando isso e sabendo como usá-las para crescer é a forma de nos libertar dessa ilusão de que "o que me causa dor e definitivamente ruim". Assim viveremos, sabendo crscer com a dor, ao invés de lutar contra ela, achando que é mera questão de sobrevivencia.
    P.S: O próximo post (provavelmente) será uma matéria falando do mangá citado no meu comentário anterior.

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  7. Eu também concordo muito com o que a Beatriz disse. O sofrimento é uma forma de amadurecer e como você mesmo citou no seu post "Fugir da dor é fugir da própria cura"!


    P.S: E o post que você prometeu? Promessa é dívida, hein?? Rs

    P.S²: Você pretende escrever algum post sobre Sandman?? Depois de ter lido aquela HQ que eu te mostrei, tenho considerado que Neil Gaiman é O CARA!! Sandman é simplesmente fantástico!!!

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  8. Não sei quem a disse, mas há uma frase que faz todo sentido: "Negar o sofrimento é negar a própria vida."

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