sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Relação indivíduo e ambiente


Primeira Parte: o Indivíduo
“Ao que nos compete discernir, o único propósito da existência humana é lançar uma luz nas trevas do mero ser.” – C. G. Jung “Lembranças, sonhos e reflexões”


A primeira parte do trabalho é, antes, uma introdução ao tema do que uma abordagem direta. Antes de se discutir sobre a relação do indivíduo com o ambiente que o cerca é necessário ter noção do que é o indivíduo. Dois pontos de vista serão comentados aqui: o exposto pelo cantor Oswaldo Montenegro em sua musica “Metade”, e a proposta por Alice Jamieson em seu livro “Hoje eu sou Alice”.
“Que o espelho reflita meu rosto num doce sorriso/ que me lembro ter dado na infância/ pois metade de mim é a lembrança do que fui/ a outra metade não sei”, esse trecho da musica “Metade” define o ser humano dividindo-o em duas partes. As lembranças são parte importantíssima da individualidade, representam as experiências que apenas aquele indivíduo tem, é o registro do seu ponto de vista do mundo. E se a primeira metade é a lembrança do que se foi, a segunda metade, que o artista não sabe o que é, é o Eu do momento, a pessoa consciente no instante em que age. Esse Eu só existe por um momento, mas é importantíssimo, pois é o que age, o que toma decisões.
Levemos em conta essas duas metades propostas por Oswaldo Montenegro como apenas dois quartos da essência do ser humano. As outras duas partes foram propostas também como metades do ser humano por Alice Jamieson em seu livro autobiográfico “Hoje eu sou Alice”. Ela sugere que as pessoas são formadas por suas escolhas e pela forma como lidam com as consequências destas. Escolhas e consequencias, características que serão consideradas, ao longo dessa dissertação, como os dois últimos quartos que compõem a essência humana.
A trama da série de livros infanto-juvenis “Harry Potter” desenvolve-se com base no preconceito que a comunidade bruxa tem de todos aqueles não-bruxos. (que inclui, além dos humanos normais, todos os seres imaginários que compõem a mitologia da obra, contanto com gigantes, elfos, dragões, entre muitos outros) O verdadeiro herói da série (não, não é o Harry Potter, ele é só um instrumento) é também o que carrega o peso do estereótipo de velho sábio, Alvus Dumbledore. É ele quem representa (e luta pelo) ideal de bem na história, sendo um crítico severo à visão de supremacia dos bruxos. Sua filosofia é de que “mais importante do que as características com que uma pessoa nasce, são as decisões que ela toda ao longo da vida”. Dumbledores tenta deixar claro (eficientemente) sua convicção de que o ambiente em que uma pessoa vive não é mais importante na formação do caráter dela do que as escolhas que ele toma enquanto cresce.
Quanto às consequencias das escolhas, é algo natural desse mundo regido pela lei de causa e efeito. Na comunidade do Orkut “eu não tenho livre-arbítrio”, as pessoas se justificam com frases vazias de que “não posso ser quem eu sou porque a sociedade não me deixa.” O problema dessas pessoas não é o externo, mas, sim, interno, o que as impede se serem “o que realmente são” é o medo de enfrentar as consequencias que isso trará. Nada mais. O ambiente é muito influente na determinação do caráter do indivíduo, mas não é determinante, enquanto houver possibilidade de escolha. Dizem que é preferível morrer livre do que viver escravo (o inverso também é muito dito), essa é uma questão tão radical de valores que pode definir a história inteira da pessoa que se faz esse questionamento, mas ainda é uma escolha que faz toda a diferença, então ainda é possível manter sua liberdade e, logo, sua identidade. Mesmo quem toma a decisão fácil e abdica de sua personalidade para ser “aquilo que a sociedade estabelece” também sofre as consequencias de sua escolha: a perda da própria identidade.
As quatro bases da essência humana são a bagagem cultural (lembranças, como disse Oswaldo Montenegro), o ego, as decisões e as consequencias. A lembrança de tudo que uma pessoa foi será sintetizada ao Eu do momento por uma escolha, e o que resultará disso é a consequencia. Está definido o indivíduo.

3 comentários:

  1. Parece que eu concordo demais, não é? Mas eu preciso concordar com esta postagem também, pois pega os exemplos reais e mostra como a questão de ação e consequência define o que somos.
    Gostei mesmo :)

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  2. Concordo novamente com o que a Beatriz disse.A questão de ação e consequência realmente define o que somos.Antigamente eu achava que deveria seguir o que as pessoas falavam, porém estava perdendo a minha identidade.Não temos que levar em conta o que as pessoas acham que é melhor para nós, e sim tentar estabelecer uma conduta que nos agrade e nos faça bem.Não devemos ter medo de tomar decisões erradas, pois errando conseguimos amadurecer e tomar coragem para enfrentar qualquer desafio na vida.

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  3. Pode concordar o quanto quiser, Beartiz XD
    A Laís resumiu a minha idéia, é isso aí!

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