
A mídia controla a forma como as pessoas veem a realidade, ela interpreta os fatos, é parcial, revela só aqui que lhe é conveniente e oculta o resto. Quem é cômodo o bastante para aceitar o que vê em um único noticiário da TV, sem procurar por outras fontes de informação, ou se recusa a pensar criticamente, será manipulado pela mídia, por aqueles que tem poder.
Essa manipulação da realidade por parte da mídia é bem ironizada no filme “Chicago” (baseado no musical homônimo). Billy Flynn, advogado e co-protagonista, compara a realidade a um circo: basta fazer um show que agrade às pessoas, e elas aceitarão como verdade. No filme, em que ele é advogado de uma mulher que matou o amante, que a iludiu dizendo que a tornaria uma estrela da música, ele tenta criar a imagem de que sua cliente é uma mulher boa, arrependida, religiosa, boa samaritana, entre outras mentiras.
A realidade é manejável, e quem tem poder faz dela o que quiser. Na HQ Watchmen (do britânico Alan Moore), por exemplo, ambientada na Guerra Fria (porque foi escrita durante ela), há o personagem chamado Dr. Manhatan, o primeiro e único super-ser do mundo onde acontece a história. Dr. Manhatan era apenas um cientista, mas, depois de um acidente com um experimento nuclear, ganhou poderes sobre-humanos. Ele acaba sendo usado por seu país (EUA), como símbolo do poder americano, por isso recebe esse nome, segundo ele “eles explicam que o nome foi escolhido pelas imagens agourentas que despertará nos inimigos da América. Estão me transformando em algo vistoso e letal...”
Os símbolos que a mídia usada para mostrar a sua interpretação da realidade são ainda mais explorado no decorrer da HQ de Alan Moore. Referindo-se ainda ao Dr. Manhatan, a mídia popularizou a frase “o super-homem existe, e ele é americano”, aumentando a imagem da supremacia dos EUA. Depois disso, a história mostra uma entrevista com o cientista que criou a tal frase, mas ele a nega, falando que nunca disse que “o super-homem existe”, mas sim “Deus existe, e ele é americano”. Ele até diz que o medo que essa frase pode causar é prova de que as pessoas que o sentirem ainda estão sãs. ( dá medo mesmo....)
De fato, os humanos aceitam uma série de símbolos como verdadeiros. Fernando Reinach, biólogo, escreveu uma matéria para o jornal Folha de São Paulo que dizia respeito a um experimento suíço que resultou na descoberta sobre o “porque os políticos fazem plástica antes da eleição” (nome da matéria). Como o cérebro humano não se desenvolveu de forma a poder escolher um líder com quem nunca interagiu, os métodos para escolher os políticos são primitivos, as pessoas são levadas a escolher pela imagem física da pessoa.
Mas, não só através de símbolos a mídia pode ser usada para manipular, e até controlar, a população. Outro caso tirado da ficção, na HQ Transmetropolitan, de Warren Ellis, protagonizada por um jornalista radical, que consegue, no primeiro arco da história, parar uma repressão policial, publicando, em tempo real, um texto que relatava as atrocidades e as injustiças políticas que estava acontecendo; o governo teve de mandar os policiais pararem a repressão, graças à matéria que o jornalista escreveu e foi publicada na internet e nos maiores canais de TV da história. Assim, sem hesitação ou piedade, Spider Jerusalém, protagonista da HQ, ataca organizações, políticos e religiões, sempre pela verdade e justiça, apesar de ser extremamente radical, também não se importando em resolver seus problemas com violência ou manipulação.
Um artista uma vez escreveu algo como “a mídia diz o que ouve, não o que houve”, ela sabe manipular informações para fornecer a interpretação da realidade que ela quiser, para colocar diante dos olhos das pessoas um mundo irreal, cujos símbolos, ironicamente mais atraentes do que a realidade, tem mais peso e força do que a verdade.A idéia de transformar a verdade em um circo de acordo com a vontade de quem tem poder é bem expressa em uma cena do filme O Corcunda de Notre Dame, da Disney, quando Quasimodo e o cavaleiro Febo estão para ser mortos pelos ciganos, e o líder, que vai matá-los em uma exibição, canta “sua inocência podemos ver, o que é ainda pior.... Pois ainda vão morrer!”

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ResponderExcluirCaro William
ResponderExcluirNossa sociedade está ficando mais "burra" e pessoas como você estão ficando raras...
Parabéns pelo seu trabalho,continue assim...
Não se oprima pelo "gado".
Oie!
ResponderExcluirA mídia é uma das armas mais perigosas do ser humano.Como você disse, ela mostra apenas o que é de interesse próprio, tornando assim, a maior parte da população infantilizada.Todos nós deveríamos pesquisar mais sobre qualquer assunto, ao invés de acreditarmos em tudo o que vemos nos noticiários ou ouvimos nas rádios.O problema é tentar convencer as pessoas de que a mídia é suja e dissimulada. Se a maioria pensasse como você, não teríamos problemas com a infantilização em massa!
Querido Willian, querida Laís,
ResponderExcluira mídia não infantiliza ninguém.
não é o jornal que forma leitores, é a escola.
não é a televisão que imbeciliza, é a falta de opções calcadas no foco que cada pessoa tem da vida.
o twitter é uma prova disso, o cinema tb é uma prova disso.
abraços
Lucas Echimenco, jornalista