domingo, 25 de julho de 2010

A Ilusão é mais sólida do que a real Verdade, e isso não é nenhum paradoxo!




Por “ilusão” entendemos engano, um fenômeno interno de má interpretação dos fatos. “Ilusão é algo não palpável, como poderia ser sólido? Ou ainda pior: ser mais sólido do que a Realidade?” É interessante que, na filosofia hindu, Maya, ou ilusão, seja também entendida como “Natureza”.
É dito que Buda tornou-se iluminado quando despertou para a Realidade, e que isso consiste em compreender que se vive em um mundo de fenômenos objetivos impermanentes e, por isso, ilusórios. Uma bandeira não se movimenta quando é tocada pelo vento; o vento não se movimenta também, é a mente que se move. Compreender isso é ser desperto. De fato, as circunstancias externas existem e podem se apresentar como obstáculos, mas a mente tem poder sobre a matéria, e, dominando-a, perde-se a ilusão de que há algo que nos controla. Somos responsáveis por nós mesmos. Se tudo passa, não há porque se apegar a algo. O apego (luxuria) é uma ilusão, não existe “meu”.
A Realidade é impalpável, porque é Essência, não Existência, diferente da Ilusão, que é temporária. Nota aos existencialistas: tanto a Essência precede a Existência quanto o contrário; a Essência se manifesta em forma de Existência, e há tanta diversidade que prova como aquela não tem forma, mas se revela de infinitas formas, como se fosse o verdadeiro Nada, pois é Nada Existencial, sim, mas a essência pessoal/objetiva é construída com o tempo, sendo impermanente também.
Quando pensar no mundo objetivo e sólido (fisico), saiba que ele é moldado conforme a mente deseja, saiba que a Natureza é também Ilusão, que ela tenta nos prender a idéias falsas, e que viver feliz significa ter consciência de que tudo passa, tanto as coisas boas quanto as ruins. Saber modelar sua mente para estar preparado para os desafios de Maya é ser Desperto.

Um comentário:

  1. Isso se você for teísta.
    Se for considerada a Navalha de Occam, essência e existência são a mesma coisa.
    Dada ai a base do ateísmo.

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