sábado, 6 de fevereiro de 2010

Hyper Future Vision



“ - Pobres são os humanos que não se aprofundam nas questões importantes, ou tem uma visão tão limitada que não conseguem compreender que existem um mundo inteiro além delas. As pessoas priorizam a sensação direta, rápida e esquecível, não há mais contemplação, reflexão.
- Mas, agora – continuou Raziel, aproximando seu rosto ao de Nathan, fazendo o garoto recuar um pouco – existe muito abaixo da superfície, da sensação direta – ele ergueu a mão direita à altura do rosto de Natanael, com o dedo indicador em riste, como se quisesse indicar algo importante -, e isso é muito mais importante.
- Porém existe algo muito mais valoroso do que aquilo que está abaixo da superfície – seu sorriso maroto estendia-se de uma orelha à outra – que é aquilo que não está lá!
E Raziel voltou à postura ereta, comportada (permitindo á Natanael respirar, o que não significa que ele se sentiu mais confortável assim) – Isso define não só a Sabedoria, como também a Arte.”
Esse trecho foi extraído do livro “Alegoria do Anjo”.

Eu acredito mesmo nisso. O barato da arte (e da sabedoria) é que ela não é óbvia, não é clara, não é direta, mas também é importante, relevante e bela.
No livro “Desvendando Quadrinhos”, o quadrinhista norte-americano Scott McCloud dá importante atenção à noção de “espaço e vazio” na narrativa dos mangás. Noção essa de mostrado-não-mostrado é também estudada na matéria sobre história do anime, do DVD Animatrix.
Por exemplo: a musica “O Pulso”, da banda Titãs. Farei uma curta e grossa descrição da mesma; a letra é composta quase inteiramente por um monte de nomes de doenças, única exceção é o refrão: “e o pulso ainda pulsa”. Não é necessariamente uma musica agradável, mas eu a adoro, justamente por que concordo com a definição de Raziel.
A mensagem está oculta. “e o pulso ainda pulsa” significa que, apezar de todos os males, mesmo com as inúmeras doenças que compõem a letra, ainda estamos vivos, o que abre um leque de possibilidades.
Por baixo da superfície considerada feia, esconde-se uma mensagem bonita, que (na minha opinião) torna a obra ainda melhor, ainda mais bela.
Outro exemplo que eu gosto: Laranja Mecânica. Conheço muita gente que desligaria a TV depois de ver os primeiros 5 minutos do filme – achando a obra uma idiotice só - , e mais gente ainda que não agüentaria nem isso, de tão franco o estômago. Mas a história é uma incrível crítica social, nada sai impune do filme.
É uma obra belíssima, porque a mensagem esconde-se em uma superfície repugnante. Muitas pessoas (a maioria sendo aquelas acostumadas às mensagens pré-prontas e falta de originalidade dos filmes de hoje, sempre com um final feliz, sempre com um romance, usando e abusando de clichês para agradar o grande público) veem esse filme como violência e sexo gratuito e sem sentido.
Falta profundidade nas obras de hoje (ao menos, naquelas que ganham destaque). Elas são feitas para agradar ao grande público, e só, e depois serem esquecidas. Quem já leu a matéria sobre o filme Avatar já sabe o que eu penso.

Um comentário:

  1. Assista Oldboy cara... é um filme coreano, tenho certeza que você vai gostar...
    Se ja assistiu comente ae!

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